MRP no TOTVS®: como resolver quebra de estoque, ressuprimento e visibilidade de produção

Existe uma cena que se repete em cliente de indústria quando a gente entra pra fazer diagnóstico.

O diretor de operação abre o ERP e pede um relatório simples. “Me mostra, para essa matéria-prima aqui, qual é o prazo de ressuprimento considerando o consumo dos últimos três meses, o lead time do fornecedor e o estoque mínimo.”

O ERP não devolve isso em cinco minutos.

Alguém do PCP responde: “Deixa eu montar em Excel.” E aí o diretor descobre que a decisão de compra que ele achava que estava embasada em dados do sistema, na verdade está embasada em planilha que uma pessoa monta manualmente. E se essa pessoa erra, quebra estoque. Se essa pessoa sai de férias, atrasa o pedido. Se essa pessoa vai embora, o processo para.

Isso é um problema de MRP mal implementado.

Neste artigo eu explico o que é o MRP no TOTVS®, quais os pontos que mais travam em indústria de médio e grande porte, como resolver quebra de estoque na causa e não no sintoma, e como dar visibilidade preditiva de produção para quem decide.

O que é MRP e por que ele muda tudo em indústria

MRP significa Material Requirements Planning, ou seja, planejamento de necessidade de material. É o mecanismo do ERP que calcula, para cada produto que a indústria fabrica, o quanto ela precisa comprar, quando precisa comprar e em qual quantidade, considerando a estrutura do produto (BOM), o consumo previsto, o estoque atual, o lead time do fornecedor e o estoque de segurança.

Bem implementado, MRP responde três perguntas críticas em segundos:

O que preciso comprar essa semana para não quebrar estoque nos próximos 60 dias?

O que preciso produzir para atender o pedido em carteira sem estourar capacidade?

Onde tem risco de atraso no ciclo produtivo que ainda dá tempo de contornar?

Sem MRP funcionando, essas três perguntas são respondidas em planilha ou não são respondidas.

Os pontos que mais travam MRP em indústria média e grande

Depois de vinte anos atendendo indústria no ecossistema TOTVS®, os padrões que a gente vê são quatro:

Estrutura de produto (BOM) desatualizada. BOM é a árvore que descreve, para cada produto acabado, quais matérias-primas entram e em qual quantidade. Quando o BOM está desatualizado, o cálculo de necessidade sai errado. E o BOM desatualizado é comum, porque a engenharia atualiza o produto e ninguém propaga isso para o cadastro do ERP.

Lead time de fornecedor mal cadastrado. Muita empresa mantém o lead time no cadastro do jeito que foi lançado na implantação, cinco anos atrás. Fornecedor mudou, situação mudou, cenário mudou. E o MRP calcula em cima de dados antigos.

Estoque mínimo e estoque de segurança fixos. Empresa que trabalha com sazonalidade forte não pode ter estoque mínimo fixo. Precisa ter parâmetro por período, por família, por origem. Sem isso, MRP recomenda compra desnecessária em época baixa e falha em época alta.

Ausência de política de reposição definida. Quando não existe política clara (por ponto de pedido, por revisão periódica, por lote econômico), o MRP fica confuso. Uma matéria-prima é reabastecida de um jeito, outra de outro, e ninguém sabe explicar o critério.

Como resolver na causa, não no sintoma

A tentação é grande de resolver quebra de estoque comprando mais e ficando com estoque alto. É a resposta preguiçosa. Custa caixa parado e não resolve a causa.

A resposta certa é organizar o cadastro que alimenta o MRP:

Auditoria de BOM produto a produto. Nem toda BOM precisa ser refeita ao mesmo tempo. Prioriza os produtos que mais representam faturamento e vai variando. É trabalho de meses, mas rende ROI todo mês.

Revisão de lead time por fornecedor. Cruzar o lead time cadastrado com o lead time real dos últimos seis meses. Ajustar. Definir cadência de revisão trimestral.

Estoque mínimo e de segurança dinâmicos. Configurar parâmetro por período, com sazonalidade contemplada. Isso é possível no TOTVS® quando alguém do PCP e alguém do fiscal senta com o consultor para desenhar.

Política de reposição clara. Definir, para cada família de matéria-prima, qual é a política de reposição. Documentar. Fazer entrar na cultura.

Com esses quatro trabalhos feitos, MRP volta a fazer sentido. E o gestor consegue, em cinco minutos, responder o que antes precisava de planilha.

Visibilidade preditiva para quem decide

Depois que o MRP está funcionando, o segundo ganho é a visibilidade preditiva. Ou seja, o diretor de operação para de olhar dado do passado e passa a olhar o futuro.

Necessidade projetada por semana pelos próximos 90 dias.

Alerta de ruptura potencial em cada linha de produto.

Impacto de pedido novo no plano de produção existente.

Análise de capacidade por centro de trabalho.

Isso muda a reunião de operação. Deixa de ser reunião reativa (o que aconteceu semana passada) e vira reunião preditiva (o que vai acontecer nas próximas semanas).

Como a MCB conduz projeto de MRP

Em cliente de indústria em Protheus®, RM® ou Datasul®, a implementação ou revisão de MRP entra como projeto próprio ou dentro de sustentação. Em operação:

  • Diagnóstico completo do cadastro atual (BOM, lead time, estoque, política)
  • Revisão de BOM por família de produto
  • Parametrização de MRP com política de reposição definida
  • Configuração de estoque mínimo e segurança dinâmico
  • Treinamento de PCP e compras para operar o MRP
  • Acompanhamento pós-go-live nos primeiros ciclos

Perguntas frequentes sobre MRP no TOTVS®

O que é MRP?
MRP significa Material Requirements Planning. É o mecanismo do ERP que calcula quanto uma indústria precisa comprar de matéria-prima, quando precisa comprar e em qual quantidade, considerando estrutura de produto, consumo previsto, estoque atual, lead time e estoque de segurança.

O TOTVS® tem MRP?
Sim. Protheus®, RM® e Datasul® têm módulo de MRP integrado. O que muda é a parametrização e a qualidade do cadastro que alimenta o cálculo.

Por que meu MRP não funciona bem?
Na maior parte dos casos, o problema não é o sistema. É um cadastro desatualizado, lead time antigo, estoque mínimo fixo em cenário sazonal e ausência de política de reposição clara.

MRP substitui o PCP?
Não. MRP é a ferramenta. PCP é a área que usa a ferramenta. Continua sendo o profissional do planejamento e controle de produção que interpreta o resultado e toma decisão.

Quanto tempo leva para ajustar MRP na indústria?
Depende do estado atual do cadastro. Empresa com BOM em dia e cadastro atualizado pode ajustar em semanas. Empresa com cadastro herdado de anos atrás pede projeto de vários meses.

A MCB atende MRP em qual linha TOTVS®?
Em Protheus®, RM® e Datasul®, com time sênior em PCP, compras e planejamento.

Conclusão

MRP não funciona pelo sistema. Funciona pelo cadastro que o alimenta. A empresa que trata MRP como projeto de sistema fica frustrada. Empresa que trata como projeto de dados colhe resultado em ciclos de decisão mais curtos, ruptura menor e caixa mais equilibrado.

A diferença entre um cenário e outro está no trabalho de fundo. Auditoria de BOM, revisão de lead time, política de reposição, treinamento de PCP. Não é glamoroso. É o que resolve.

Quer revisar ou implantar MRP no seu TOTVS® com foco em resultado real? Fale com a equipe MCB.

Protheus®, RM®, Protheus®, Winthor® e Datasul® são produtos de marca registrada de propriedade da TOTVS® S.A. A MCB CONSULTING LTDA é uma empresa de consultoria independente e não tem nenhum vínculo direto ou indireto com a TOTVS®, qualquer uma das suas franquias ou qualquer um de seus representantes.

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